Esteatose hepática
Também chamada de fígado gorduroso; degeneração gordurosa do fígado; esteatose macrogoticular · em inglês: hepatic steatosis; fatty liver; macrovesicular steatosis
Hepatobiliopancreático · Fígado
Sequência molecular e celular, exames complementares e diferenciais.
Objetivos de aprendizagem
- Explicar os quatro pontos do metabolismo hepático de triglicerídeos em que a esteatose pode nascer.
- Diferenciar esteatose macro e microgoticular pela morfologia e pelo significado clínico.
- Reconhecer os achados que convertem esteatose simples em esteato-hepatite.
- Justificar por que a fibrose inicial é perissinusoidal e o que isso significa funcionalmente.
Definição
Acúmulo de triglicerídeos no citoplasma do hepatócito acima do normal, visível ao microscópio óptico como vacúolos, decorrente de desequilíbrio entre entrada, síntese, oxidação e exportação de lipídeos.
Antes de olhar a lâmina: a histologia normal
Uma alteração só é alteração em relação a alguma coisa. Estabeleça a referência primeiro.
Fígado normal — lóbulo e placa hepatocitária
Cordões de hepatócitos de uma a duas células de espessura, irradiando da veia central para os espaços-porta; citoplasma eosinofílico granular e homogêneo; núcleo central e redondo; sinusoides estreitos e regulares. Nenhum vacúolo. Guardar a homogeneidade do citoplasma é o que torna o vacúolo evidente depois.
Fígado normal — espaço-porta e zonação
A tríade portal (ramo da porta, ramo da artéria hepática e ducto biliar) e a distância até a veia centrolobular. A zona 3, mais próxima da veia central, é a de menor tensão de oxigênio — e é por isso que a esteatose começa lá.
Etiologia e fatores de risco
Álcool
toxica
A oxidação do etanol consome NAD+ e eleva a razão NADH/NAD+. Isso inibe a β-oxidação de ácidos graxos e favorece a síntese de triglicerídeos — o hepatócito passa a queimar etanol em vez de gordura.
Resistência à insulina e síndrome metabólica
metabolica
A lipólise periférica descontrolada aumenta a chegada de ácidos graxos livres ao fígado, enquanto a hiperinsulinemia estimula a lipogênese de novo. Entrada aumentada e síntese aumentada ao mesmo tempo.
Fármacos (amiodarona, tamoxifeno, corticoides, valproato, tetraciclina)
iatrogenica
Interferem na β-oxidação mitocondrial ou na montagem de VLDL. O valproato e a tetraciclina produzem caracteristicamente o padrão microgoticular, mais grave.
Desnutrição proteica e nutrição parenteral prolongada
metabolica
Falta de apolipoproteínas trava a exportação de triglicerídeos como VLDL; a gordura fica retida por não ter transporte.
Fatores de risco
- Obesidade central e diabetes tipo 2estabelecido — Tecido adiposo visceral resistente à insulina libera ácidos graxos livres continuamente para a veia porta, e o fígado é o primeiro órgão a recebê-los.
- Consumo crônico de álcoolestabelecido — Efeito direto sobre o estado redox hepatocitário e sobre a expressão de fatores de transcrição lipogênicos.
- Perda ponderal muito rápidaprovável — Mobiliza grandes quantidades de ácidos graxos do tecido adiposo em curto intervalo, sobrecarregando temporariamente a capacidade hepática de oxidação e exportação.
Do gatilho à manifestação clínica
Cada seta responde a uma pergunta: por que o próximo evento acontece?
Mecanismo patológico geral
O conceito reutilizável primeiro, a aplicação a esta doença depois. Separar os dois é o que permite reconhecer o mesmo mecanismo em outro órgão.
Acúmulo intracelular
A célula passa a conter mais de alguma substância do que consegue metabolizar ou exportar. Isso acontece por três caminhos: a oferta aumenta, a via de processamento falha, ou a via de exportação trava. O acúmulo em si costuma ser reversível; ele importa porque desloca organelas, distorce a arquitetura e sinaliza qual etapa metabólica quebrou.
Nesta doença: O hepatócito acumula triglicerídeos quando qualquer um de quatro pontos falha: entrada aumentada de ácidos graxos livres, lipogênese de novo aumentada, β-oxidação reduzida, ou exportação de VLDL travada. Cada etiologia ataca um ponto diferente — e é por isso que a mesma morfologia serve a causas tão distintas.
Adaptação celular
Diante de uma demanda persistente que ainda não excede a capacidade da célula, o tecido muda de tamanho, de número ou de fenótipo para operar num novo estado estável. A adaptação é reversível por definição: retirado o estímulo, o tecido tende a voltar. Seu preço é trocar uma função especializada por resistência — e é justamente essa troca que cria terreno para lesões posteriores.
Nesta doença: Enquanto há apenas gordura, o hepatócito continua funcional e o processo é reversível: suspenso o estímulo, os triglicerídeos são mobilizados em semanas. A esteatose simples é adaptação, não lesão — e tratá-la como doença estabelecida distorce o prognóstico.
Reparo e fibrose
Quando o parênquima perdido não pode ser reposto — porque as células não se dividem, porque a matriz de suporte foi destruída, ou porque a agressão persiste — o tecido é substituído por colágeno. O reparo restaura a continuidade, não a função. Fibrose é reparo que não sabe parar, e o custo é rigidez, retração e distorção arquitetural permanente.
Nesta doença: Quando a lipotoxicidade e o estresse oxidativo se somam à gordura, células estreladas perissinusoidais se ativam e depositam colágeno no espaço de Disse. A fibrose começa exatamente onde ocorre a troca metabólica, em padrão "em tela de galinheiro" ao redor de hepatócitos individuais — não nos espaços-porta.
Cadeia causal específica
Gatilho / etiologia
Oferta de ácidos graxos livres acima da capacidade de processamento
Seja pela lipólise periférica descontrolada da resistência insulínica, seja pelo desvio metabólico imposto pelo etanol, o hepatócito recebe mais substrato lipídico do que pode oxidar ou exportar.
Alvo molecular ou celular
Mitocôndria e via de montagem da VLDL no retículo endoplasmático
A β-oxidação mitocondrial é a saída oxidativa; a montagem de VLDL é a saída exportadora. Bloquear qualquer uma delas transforma o excedente em triglicerídeo estocado.
Resposta celular
Esterificação e formação de gotículas lipídicas
Ácido graxo livre é detergente e tóxico para membranas. Esterificá-lo em triglicerídeo e guardá-lo numa gotícula é, paradoxalmente, um mecanismo de proteção — a célula neutraliza o que não consegue eliminar.
Na lâmina: Vacúolos citoplasmáticos que coalescem e deslocam o núcleo para a periferia
Resposta tecidual
Estresse oxidativo, lipotoxicidade e recrutamento inflamatório
Metabólitos lipídicos intermediários — não o triglicerídeo em si — geram espécies reativas de oxigênio, estresse do retículo e ativação de células de Kupffer. Aí a adaptação vira lesão: o hepatócito baliçoniza e o lóbulo recebe infiltrado inflamatório misto.
Na lâmina: Balonização hepatocitária, corpúsculos de Mallory-Denk e inflamação lobular
Achado morfológico
Fibrose perissinusoidal progressiva
Células estreladas ativadas por citocinas e por produtos da peroxidação lipídica depositam colágeno no espaço de Disse. O sinusoide, antes um canal fenestrado e permeável, ganha uma parede.
Na lâmina: Colágeno em "tela de galinheiro" ao redor de hepatócitos isolados na zona 3
Perda ou alteração de função
Capilarização do sinusoide e perda de troca metabólica
O endotélio sinusoidal perde as fenestras e ganha membrana basal. A troca bidirecional entre sangue e hepatócito — razão de ser da arquitetura hepática — é comprometida antes de qualquer alteração de enzima sérica.
Manifestação clínica
Hepatomegalia e alteração de aminotransferases
O volume acumulado aumenta o tamanho do órgão; a lesão de membrana em hepatócitos balonizados libera ALT e AST. A esteatose simples costuma ser silenciosa — o achado inicial é frequentemente incidental em ultrassonografia.
Complicação
Cirrose e carcinoma hepatocelular
A fibrose perissinusoidal se estende, forma pontes entre estruturas vasculares e delimita nódulos regenerativos. A regeneração contínua num ambiente de estresse oxidativo aumenta a probabilidade de eventos mutacionais, o que sustenta o risco neoplásico.
Macroscopia
Fígado aumentado, amarelado, de borda romba e consistência amolecida
Sugestivo- Por que aparece:
- Acúmulo difuso de triglicerídeos no citoplasma dos hepatócitos.
- O que significa:
- Sugere esteatose extensa; a cor e a consistência não distinguem esteatose simples de esteato-hepatite.
Superfície de corte que unta a lâmina de vidro
Frequente- Por que aparece:
- Alta concentração de lipídeo livre no tecido.
- O que significa:
- Sinal clássico de necropsia; não quantifica nem gradua.
No microscópio, na ordem certa
Panorâmica → arquitetura → compartimento → padrão celular → citologia → síntese.
Procure primeiro: Antes de olhar qualquer hepatócito, avalie a distribuição: a gordura é difusa ou tem preferência por uma zona do lóbulo? Localize as veias centrais e os espaços-porta.
Predomínio da vacuolização na zona 3 (centrolobular)
Sugestivo- Por que aparece:
- Menor tensão de oxigênio e maior atividade do citocromo P450 2E1 nessa região.
- O que significa:
- A zonação é a primeira pista etiológica: padrão centrolobular sugere álcool ou doença hepática metabólica no adulto.
Arquitetura lobular preservada, sem nódulos
Necessário- Por que aparece:
- Ausência de remodelamento fibrótico completo.
- O que significa:
- Afasta cirrose estabelecida; a doença ainda é potencialmente reversível.
Síntese diagnóstica
Esteatose isolada, com arquitetura preservada e sem balonização nem inflamação lobular, é adaptação reversível. O diagnóstico muda de natureza quando aparecem os três componentes da esteato-hepatite — esteatose, balonização e inflamação lobular — e a gravidade passa a ser determinada pela fibrose, que precisa ser estadiada com tricrômico. A morfologia, porém, não distingue causa alcoólica de metabólica: as duas produzem o mesmo quadro, e a diferenciação é clínica.
Lâminas de referência
Catalogadas nos atlas de origem. Seleção editorial primeiro; o inventário completo de cada entrada fica a um clique.
Demais referências catalogadas (20)
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Esteatose macrovesicular e microvesicular com lipogranuloma hepático
macrovesicular and microvesicular steatosis, lipogranuloma, liverDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.
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Cirrose irregular e cirrose macronodular (duas peças)
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Cirrose irregular e cirrose macronodular (duas peças)
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Cirrose irregular e cirrose macronodular (duas peças)
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Cirrose irregular e cirrose macronodular (duas peças)
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Varizes do esôfago
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Varizes do esôfago
Varizes do esôfagoDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.
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Varizes do esôfago
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Esteatose macrogoticular
Esteatose hepática Lam. A. 48Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.
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Esteatose macrogoticular
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Esteatose macrogoticular
Esteatose hepática Lam. A. 48Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.
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Esteatose macrogoticular
Esteatose hepática Lam. A. 48Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.
Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui
Colorações, imuno-histoquímica e molecular
Cada exame responde a uma pergunta. Resultado isolado não é diagnóstico.
Tricrômico de Masson
- Responde:
- Já existe fibrose e em que compartimento ela está?
- Padrão esperado:
- Colágeno em azul. Na doença hepática gordurosa, o padrão inicial é perissinusoidal na zona 3, em "tela de galinheiro", ao redor de hepatócitos individuais — não portal.
- Controles:
- Controle com fibrose conhecida; o excesso de coloração superestima o estágio.
- Limitações:
- Fibrose fina pode ser subestimada em fragmentos pequenos ou fragmentados de biópsia.
- Não distingue fibrose ativa de cicatriz antiga estabilizada.
- Muda o diferencial:
- O compartimento da fibrose orienta a etiologia: perissinusoidal aponta para doença gordurosa; portal com interface hepatítica aponta para hepatite crônica viral ou autoimune.
Oil Red O / Sudan em corte de congelação
- Responde:
- O conteúdo dos vacúolos é realmente lipídeo?
- Padrão esperado:
- Gotículas coradas em vermelho-alaranjado no citoplasma.
- Controles:
- Exige tecido não processado em parafina; controle positivo de tecido adiposo.
- Limitações:
- Impossível em material já incluído em parafina — a decisão precisa ser tomada na macroscopia.
- Não diferencia triglicerídeo de outros lipídeos neutros.
- Muda o diferencial:
- Resolve a confusão entre esteatose e outros vacúolos citoplasmáticos, como o glicogênio da doença de depósito ou o vacúolo hidrópico da lesão isquêmica.
PAS com e sem digestão por diástase
- Responde:
- O vacúolo contém glicogênio, ou há glóbulos de alfa-1-antitripsina?
- Padrão esperado:
- Glicogênio: PAS positivo que desaparece após a diástase. Alfa-1-antitripsina: glóbulos PAS positivos e diástase-resistentes, periportais.
- Controles:
- Lâmina pareada com e sem digestão, obrigatoriamente.
- Limitações:
- Glicogênio se perde com fixação prolongada, produzindo falso-negativo.
- Glóbulos podem ser escassos em heterozigotos.
- Muda o diferencial:
- Separa esteatose de glicogenose e de deficiência de alfa-1-antitripsina, duas entidades com conduta e aconselhamento inteiramente distintos.
Citoqueratina 8/18 (perda) e p62
- Responde:
- Este hepatócito aumentado está realmente balonizado?
- Padrão esperado:
- Perda da marcação citoplasmática normal de CK8/18 no hepatócito balonizado, com positividade para p62 nos corpúsculos de Mallory-Denk.
- Controles:
- Hepatócitos não balonizados do mesmo corte servem como controle interno.
- Limitações:
- Interpretação exige avaliação comparativa e é sujeita a variabilidade entre observadores.
- Não é necessária na rotina: a balonização é diagnóstico de HE.
- Muda o diferencial:
- Ajuda a resolver casos-limite entre esteatose simples e esteato-hepatite, distinção com implicação prognóstica direta.
Da morfologia ao sintoma
| Achado morfológico | Consequência funcional | Manifestação |
|---|---|---|
| Esteatose macrogoticular difusa sem balonização | Aumento de volume hepático com função sintética preservada. | Hepatomegalia e esteatose à ultrassonografia, habitualmente assintomática, com enzimas normais ou discretamente elevadas. |
| Balonização com inflamação lobular | Lesão de membrana hepatocitária com extravasamento enzimático. | Elevação persistente de ALT e AST; risco de progressão para fibrose. |
| Fibrose em ponte e nódulos regenerativos | Aumento da resistência intra-hepática ao fluxo portal e perda de massa funcional. | Hipertensão portal, ascite, varizes esofágicas e insuficiência hepática progressiva. |
| Esteatose microgoticular difusa | Falência aguda da β-oxidação mitocondrial com queda de produção de ATP. | Insuficiência hepática aguda, hipoglicemia e encefalopatia — emergência médica. |
Normal × patológico, lado a lado
| Aspecto | Normal | Patológico |
|---|---|---|
| Citoplasma do hepatócito | Eosinofílico, granular e homogêneo. | Ocupado por vacúolo único e grande (macrogoticular) ou por múltiplos vacúolos pequenos (microgoticular). |
| Posição do núcleo | Central, redondo, com nucléolo evidente. | Deslocado para a periferia e achatado contra a membrana na esteatose macrogoticular; central na microgoticular. |
| Espaço de Disse | Virtual, sem colágeno; sinusoide fenestrado permitindo troca livre. | Expandido por colágeno; sinusoide capilarizado, com perda das fenestras e da troca. |
| Placa hepatocitária | Uma a duas células de espessura, radial e regular. | Distorcida por células volumosas e, nas fases avançadas, fragmentada por septos fibrosos. |
Diagnósticos diferenciais
Esteato-hepatite (alcoólica ou metabólica)
- Por que confunde:
- A esteatose é o achado dominante nas duas.
- Compartilham:
- esteatose macrogoticular; distribuição centrolobular
- Discriminador:
- Balonização hepatocitária associada a inflamação lobular. Sem os dois, é esteatose simples.
- Exame que resolve:
- Tricrômico para estadiar a fibrose, que define o prognóstico.
- Armadilha de amostragem:
- Biópsia representa cerca de 1/50.000 do órgão; amostragem insuficiente subestima balonização e fibrose.
Glicogenose e núcleos glicogenados
- Por que confunde:
- Citoplasma vacuolizado e claro.
- Compartilham:
- citoplasma claro; hepatomegalia
- Discriminador:
- PAS positivo com digestão por diástase; o vacúolo é menos nítido e não desloca o núcleo.
- Exame que resolve:
- PAS pareado com e sem diástase.
Doença de depósito lisossomal (Gaucher, Niemann-Pick)
- Por que confunde:
- Células volumosas com citoplasma alterado no parênquima hepático.
- Compartilham:
- citoplasma expandido; hepatomegalia
- Discriminador:
- A célula acometida é o macrófago sinusoidal, não o hepatócito, e o citoplasma tem aspecto estriado (Gaucher) ou espumoso uniforme (Niemann-Pick).
- Exame que resolve:
- Dosagem enzimática e teste genético.
Hepatite crônica viral com esteatose associada
- Por que confunde:
- Esteatose acompanha com frequência a hepatite C, sobretudo genótipo 3.
- Compartilham:
- esteatose; inflamação; fibrose
- Discriminador:
- Inflamação de predomínio portal com hepatite de interface e agregados linfoides portais, e fibrose que começa portal, não perissinusoidal.
- Exame que resolve:
- Sorologia e carga viral.
Complicações e prognóstico
- Cirrose — Fibrose perissinusoidal progride para septos e pontes, delimitando nódulos regenerativos e alterando definitivamente a hemodinâmica hepática.
- Carcinoma hepatocelular — Ciclos repetidos de lesão e regeneração em ambiente de estresse oxidativo aumentam a chance de fixação de mutações em clones proliferantes; pode ocorrer mesmo sem cirrose estabelecida na doença metabólica.
- Insuficiência hepática aguda na esteatose microgoticular — Colapso da β-oxidação mitocondrial com queda abrupta de ATP e falência simultânea de múltiplas funções hepatocitárias.
Armadilhas
- Chamar de esteato-hepatite qualquer esteatose com algum linfócito no lóbulo, sem balonização.
- Atribuir corpúsculos de Mallory-Denk exclusivamente ao álcool.
- Confundir balonização com hepatócito grande de citoplasma claro por glicogênio.
- Estadiar fibrose em fragmento de biópsia curto ou fragmentado, subestimando o estágio.
- Pedir Oil Red O depois de o material já ter ido para a parafina — a decisão é na macroscopia.
Resumo de alta retenção
- Quatro pontos de falha: entrada aumentada, lipogênese aumentada, β-oxidação reduzida, exportação de VLDL travada.
- Macrogoticular: vacúolo único, núcleo periférico, mais benigna. Microgoticular: múltiplos vacúolos, núcleo central, sinal de falência mitocondrial aguda.
- Esteatose simples ≠ esteato-hepatite: a diferença é balonização + inflamação lobular.
- A fibrose da doença gordurosa começa perissinusoidal na zona 3, não portal.
- O vacúolo é vazio na parafina porque a gordura foi dissolvida — confirmar exige congelação.
Autoavaliação
Responda antes de conferir. A devolutiva explica também por que as erradas estão erradas.
Referências, créditos e proveniência
Referências bibliográficas
- Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease. 10ª ed. Elsevier; 2021. Capítulo de fígado e vias biliares.
- Burt AD, Ferrell LD, Hübscher SG. MacSween’s Pathology of the Liver. 8ª ed. Elsevier; 2023.
- Rinella ME, et al. A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature. Hepatology. 2023;78(6):1966-1986.
Entradas catalogadas consolidadas nesta doença
O nome exato encontrado na fonte é preservado. A consolidação é trabalho editorial do Domine Aqui e não é atribuída às instituições de origem.
Crédito das fontes
- Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp — Atlas de Anatomia Patológica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp; consulte os créditos da página original. https://anatpat.unicamp.br/
- Histopathology Atlas / patolojiAI — Histopathology Atlas / patolojiAI — Serdar Balcı, Memorial Pathology e instituições colaboradoras, conforme a página original. https://www.histopathologyatlas.com/