Em revisão médica Neoplasia maligna

Glioblastoma

Também chamada de glioblastoma IDH não mutado; glioma difuso grau 4 do adulto · em inglês: glioblastoma, IDH-wildtype; GBM

Sistema nervoso · Encéfalo

Sequência molecular e celular, exames complementares e diferenciais.

Objetivos de aprendizagem

  • Reconhecer necrose em pseudopaliçada e proliferação microvascular como critérios clássicos de grau 4.
  • Integrar morfologia, estado de IDH e alterações moleculares conforme a classificação atual.
  • Distinguir marcador diagnóstico, prognóstico e preditivo no painel de glioma.

Definição

Glioma astrocítico difuso do adulto, IDH não mutado e grau 4 do sistema nervoso central, definido por necrose/proliferação microvascular ou por alterações moleculares qualificadoras no contexto apropriado.

Antes de olhar a lâmina: a histologia normal

Uma alteração só é alteração em relação a alguma coisa. Estabeleça a referência primeiro.

Etiologia e fatores de risco

  • Alterações somáticas em vias de TERT, EGFR, PI3K e controle do ciclo celular

    genetica

    Promovem imortalidade, sinalização proliferativa, sobrevivência e infiltração do parênquima.

Fatores de risco

  • Radiação ionizante terapêutica préviaestabelecidoDano genômico pode originar glioma após longo período de latência.

Do gatilho à manifestação clínica

Cada seta responde a uma pergunta: por que o próximo evento acontece?

Mecanismo patológico geral

O conceito reutilizável primeiro, a aplicação a esta doença depois. Separar os dois é o que permite reconhecer o mesmo mecanismo em outro órgão.

  • Invasão neoplásica

    A célula neoplásica rompe a membrana basal e passa a ocupar o estroma. Isso exige perder adesão, degradar matriz por proteases e adquirir motilidade. A invasão é o critério que separa carcinoma in situ de carcinoma invasor, e é o que abre as rotas linfática, vascular e perineural — ou seja, o que torna a doença sistêmica.

    Nesta doença: Células neoplásicas migram pelo neurópilo e ao redor de neurônios e vasos, ultrapassando o limite radiológico.

  • Necrose coagulativa

    Morte celular acidental em que a desnaturação das proteínas — inclusive das enzimas lisossomais — supera a proteólise. O tecido morre mas mantém o contorno por dias: o "fantasma" da arquitetura permanece legível, sem núcleos. É o padrão típico da isquemia em órgãos sólidos, exceto no sistema nervoso central.

    Nesta doença: Crescimento e trombose vascular geram hipóxia; células viáveis se alinham ao redor da necrose em pseudopaliçada.

Cadeia causal específica

  1. Gatilho / etiologia

    Clone glial adquire programa proliferativo IDH não mutado

    Alterações de TERT, EGFR e cromossomos 7/10 permitem expansão sem maturação normal.

  2. Resposta tecidual

    Infiltração difusa do parênquima

    Células percorrem tratos e espaços perivasculares, tornando a ressecção microscópica completa inviável.

    Na lâmina: Satelitose perineuronal e acúmulo subpial/perivascular.

  3. Achado morfológico

    Hipóxia, necrose e angiogênese

    A demanda excede o suprimento; hipóxia induz VEGF e proliferação vascular glomeruloide.

    Na lâmina: Necrose em pseudopaliçada e proliferação microvascular.

  4. Perda ou alteração de função

    Edema e destruição de circuitos

    Barreira hematoencefálica anormal e infiltração elevam pressão e interrompem redes neurais.

  5. Manifestação clínica

    Déficit focal, convulsão e hipertensão intracraniana

    A manifestação depende da topografia e do efeito de massa, não apenas do tamanho.

  6. Complicação

    Recorrência local e herniação por efeito de massa

    Células infiltrativas permanecem além da margem ressecada, enquanto edema e progressão podem elevar criticamente a pressão intracraniana.

Macroscopia

  • Massa infiltrativa variegada com necrose e hemorragia, por vezes cruzando o corpo caloso

    Sugestivo
    Por que aparece:
    Crescimento rápido, angiogênese frágil e disseminação por tratos de substância branca.
    O que significa:
    Explica heterogeneidade de imagem e amostragem; aspecto em borboleta é sugestivo, não específico.

No microscópio, na ordem certa

Panorâmica → arquitetura → compartimento → padrão celular → citologia → síntese.

Procure primeiro: Mapeie áreas viáveis, necrose, hemorragia e interface infiltrativa antes de escolher o maior aumento.

  • Tumor hipercelular alternando com necrose geográfica

    Frequente
    Por que aparece:
    Crescimento heterogêneo com colapso perfusional.
    O que significa:
    Amostragem só da necrose ou só da periferia pode subestimar o tumor.

Síntese diagnóstica

Morfologia de grau 4 deve ser integrada a IDH. Em adulto com glioma astrocítico IDH não mutado, alterações moleculares qualificadoras também podem estabelecer glioblastoma mesmo sem necrose ou proliferação microvascular na amostra.

Lâminas de referência

Catalogadas nos atlas de origem. Seleção editorial primeiro; o inventário completo de cada entrada fica a um clique.

Demais referências catalogadas (120)

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  • Imuno-histoquímicaGFAP Direitos aprovados

    Glioblastoma

    GlioblastomaDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Histopathology Atlas / patolojiAI · exibição remota no Domine Aqui

  • HistologiaHE Direitos aprovados

    Glioblastoma

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  • Imagem anatomopatológica Direitos aprovados

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  • Histologia Direitos aprovados

    Glioblastoma

    Cortes axiais de tomografia computadorizada sem contraste (fileira de cima) e com contraste. Os cortes à E são mais caudais e os à D são mais craniais. Mostram volumoso tumor frontal E que se estende ao hemisfério contralateral através do corpo caloso (tumor em asa de borboleta), afetando nos planos superiores ambos l…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

  • Imagem anatomopatológica Direitos aprovados

    Glioblastoma

    TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADADescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • Imagem anatomopatológica Direitos aprovados

    Glioblastoma

    Corte axial no nível da placa quadrigêmea. Nota-se lesão isodensa, rodeada por imagem hipodensa, comprometendo o lobo frontal E. A imagem hipodensa pode corresponder a edema e/ou infiltração tumoral da substância branca adjacente (não é possível decidir entre um ou outro, e freqüentemente ambos estão associados). Há i…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • Histologia Direitos aprovados

    Glioblastoma

    Corte axial um pouco acima do anterior, mostrando que o tumor preencheu o corno anterior do ventrículo lateral direito, onde se observa massa isodensa. Comparar com o ventrículo contralateral, hipodenso por conter líquor. O tumor causa apagamento dos sulcos e comprime os ventrículos laterais para trás e para baixo. Há…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

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  • Histologia Direitos aprovados

    Glioblastoma

    Cortes axiais de tomografia computadorizada sem contraste (fileira de cima) e com contraste. Os cortes à E são mais caudais e os à D são mais craniais. Mostram volumoso tumor frontal E que se estende ao hemisfério contralateral através do corpo caloso (tumor em asa de borboleta), afetando nos planos superiores ambos l…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • Imagem anatomopatológica Direitos aprovados

    Glioblastoma

    Corte axial no nível da placa quadrigêmea. Nota-se lesão isodensa, rodeada por imagem hipodensa, comprometendo o lobo frontal E. A imagem hipodensa pode corresponder a edema e/ou infiltração tumoral da substância branca adjacente (não é possível decidir entre um ou outro, e freqüentemente ambos estão associados). Há i…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • Imagem anatomopatológica Direitos aprovados

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  • Histologia Direitos aprovados

    Glioblastoma

    Corte axial um pouco acima do anterior, mostrando que o tumor preencheu o corno anterior do ventrículo lateral direito, onde se observa massa isodensa. Comparar com o ventrículo contralateral, hipodenso por conter líquor. O tumor causa apagamento dos sulcos e comprime os ventrículos laterais para trás e para baixo. Há…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • Imagem anatomopatológica Direitos aprovados

    Glioblastoma

    TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADADescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • HistologiaHE Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    corada por HE, mostra que todo o centro do tumor era necrótico. Na periferia havia tumor viável, com células altamente atípicas em meio a tecido fibroso denso e capilares proliferadosDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

  • HistologiaHE Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    corada por HE, mostra que todo o centro do tumor era necrótico. Na periferia havia tumor viável, com células altamente atípicas em meio a tecido fibroso denso e capilares proliferadosDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

  • HistologiaHE Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    corada por HE, mostra que todo o centro do tumor era necrótico. Na periferia havia tumor viável, com células altamente atípicas em meio a tecido fibroso denso e capilares proliferadosDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

  • HistologiaHE Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    corada por HE, mostra que todo o centro do tumor era necrótico. Na periferia havia tumor viável, com células altamente atípicas em meio a tecido fibroso denso e capilares proliferadosDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

  • HistologiaTricrômico de Masson Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    Como cora colágeno em azul e células em vermelho, o Masson dá boa idéia das proporções e relações entre estes dois elementos no tecido. Ao lado, a lâmina escaneada. O centro necrótico da lesão cora-se também em azul (embora não haja colágeno aí). A seguir, detalhes da cápsula fibrosa periférica onde são encontradas as…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

  • HistologiaTricrômico de Masson Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    Como cora colágeno em azul e células em vermelho, o Masson dá boa idéia das proporções e relações entre estes dois elementos no tecido. Ao lado, a lâmina escaneada. O centro necrótico da lesão cora-se também em azul (embora não haja colágeno aí). A seguir, detalhes da cápsula fibrosa periférica onde são encontradas as…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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  • Macroscopia Direitos aprovados

    Glioblastoma — caso 10A

    Espécime. O material foi enviado em dois frascos, sendo um com vários pequenos fragmentos esbranquiçados, amolecidos, de aspecto incaracterístico, que, na histologia, revelaram um glioblastoma multiforme convencional . O fragmento abaixo destacava-se pela boa delimitação, superfície externa irregular, consistência mai…Descrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

    Crédito: Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp · exibição remota no Domine Aqui

Colorações, imuno-histoquímica e molecular

Cada exame responde a uma pergunta. Resultado isolado não é diagnóstico.

  • GFAP, IDH1 R132H, ATRX e p53

    Responde:
    Há diferenciação glial e qual via molecular inicial é sugerida?
    Padrão esperado:
    GFAP variável; IDH1 R132H negativo no glioblastoma IDH não mutado; ATRX frequentemente retido.
    Limitações:
    • IDH1 R132H negativo não exclui mutação rara e pode exigir sequenciamento.
    Muda o diferencial:
    IDH mutado redireciona para astrocytoma IDH mutado grau 4, entidade distinta.
  • EGFR, promotor de TERT e assinatura +7/−10; metilação de MGMT

    Responde:
    Há qualificador molecular diagnóstico e biomarcador preditivo?
    Padrão esperado:
    Amplificação de EGFR, mutação do promotor de TERT ou ganho de 7/perda de 10 apoiam a entidade; MGMT metilado prediz maior benefício de temozolomida.
    Limitações:
    • Resultados dependem de celularidade e devem ser interpretados no contexto histológico e etário.
    Muda o diferencial:
    Qualificadores definem glioblastoma em cenário próprio; MGMT informa resposta, não linhagem.

Da morfologia ao sintoma

Correlação entre achado morfológico, consequência funcional e manifestação clínica
Achado morfológicoConsequência funcionalManifestação
Infiltração além da margem aparentePersistência microscópica após ressecção.Recorrência local é comum apesar de cirurgia ampla.

Normal × patológico, lado a lado

Comparação entre o tecido normal e o tecido alterado, aspecto por aspecto
AspectoNormalPatológico
CelularidadeNeurônios e glia espaçados em neurópilo delicado.Hipercelularidade pleomórfica com mitoses e infiltração.
VasosCapilares finos com parede única.Tufos microvasculares multilaminados e trombose.

Diagnósticos diferenciais

  • Astrocitoma IDH mutado, grau 4

    Por que confunde:
    Também pode apresentar necrose e proliferação microvascular.
    Compartilham:
    glioma difuso; morfologia de alto grau
    Discriminador:
    Mutação de IDH define outra entidade e muda prognóstico.
  • Metástase cerebral

    Por que confunde:
    Massa necrótica e edematosa de alto grau.
    Compartilham:
    necrose; pleomorfismo
    Discriminador:
    Interface mais circunscrita, diferenciação epitelial e citoqueratinas conforme o primário.

Complicações e prognóstico

  • Herniação cerebralEfeito de massa e edema elevam a pressão intracraniana.
  • Recorrência infiltrativaCélulas dispersas permanecem além da margem cirúrgica e resistem ao microambiente terapêutico.

Armadilhas

  • Usar IDH1 R132H negativo como prova absoluta de IDH não mutado.
  • Confundir borda infiltrativa com limite cirúrgico real.

Resumo de alta retenção

  • Glioblastoma do adulto é IDH não mutado e CNS WHO grau 4.
  • Necrose em pseudopaliçada e proliferação microvascular são os critérios histológicos clássicos.
  • MGMT metilado é preditivo; não é critério de linhagem.

Autoavaliação

Responda antes de conferir. A devolutiva explica também por que as erradas estão erradas.

  1. 1.Qual combinação é mais característica da morfologia de glioblastoma?

Referências, créditos e proveniência

Referências bibliográficas

  1. Louis DN et al. The 2021 WHO Classification of Tumors of the Central Nervous System: a summary. Neuro-Oncology. 2021. acessar
  2. WHO 2021 Classification of Central Nervous System tumours: practical update for diffuse gliomas. acessar

Entradas catalogadas consolidadas nesta doença

O nome exato encontrado na fonte é preservado. A consolidação é trabalho editorial do Domine Aqui e não é atribuída às instituições de origem.

Crédito das fontes

  • Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp Atlas de Anatomia Patológica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp; consulte os créditos da página original. https://anatpat.unicamp.br/
  • Histopathology Atlas / patolojiAI Histopathology Atlas / patolojiAI — Serdar Balcı, Memorial Pathology e instituições colaboradoras, conforme a página original. https://www.histopathologyatlas.com/
Registro completo de direitos e alterações editoriais