Em revisão médica Neoplasia maligna

Linfoma de Hodgkin clássico

Também chamada de doença de Hodgkin; linfoma de Hodgkin · em inglês: classic Hodgkin lymphoma; Hodgkin lymphoma

Hematolinfoide · Linfonodo, Baço, Medula óssea

Sequência molecular e celular, exames complementares e diferenciais.

Objetivos de aprendizagem

  • Encontrar as raras células neoplásicas dentro do microambiente reativo.
  • Interpretar CD30, CD15, PAX5 e CD45 como perfil integrado.
  • Separar linfoma de Hodgkin clássico de ALCL, grandes células B e linfoma de Hodgkin nodular com predomínio linfocitário.

Definição

Neoplasia linfoide de origem B na qual células de Hodgkin/Reed–Sternberg são escassas e sobrevivem em um microambiente abundante de linfócitos, histiócitos, eosinófilos e plasmócitos.

Antes de olhar a lâmina: a histologia normal

Uma alteração só é alteração em relação a alguma coisa. Estabeleça a referência primeiro.

Etiologia e fatores de risco

  • Transformação de célula B do centro germinativo, com EBV em uma parcela dos casos

    neoplasica

    A célula tumoral perde grande parte do programa B e recruta células reativas por citocinas; EBV pode fornecer sinais de sobrevivência.

Fatores de risco

  • Imunodeficiência, inclusive infecção por HIVestabelecidoControle imune reduzido favorece clones associados a EBV.

Do gatilho à manifestação clínica

Cada seta responde a uma pergunta: por que o próximo evento acontece?

Mecanismo patológico geral

O conceito reutilizável primeiro, a aplicação a esta doença depois. Separar os dois é o que permite reconhecer o mesmo mecanismo em outro órgão.

  • Invasão neoplásica

    A célula neoplásica rompe a membrana basal e passa a ocupar o estroma. Isso exige perder adesão, degradar matriz por proteases e adquirir motilidade. A invasão é o critério que separa carcinoma in situ de carcinoma invasor, e é o que abre as rotas linfática, vascular e perineural — ou seja, o que torna a doença sistêmica.

    Nesta doença: Células HRS clonais substituem a arquitetura e podem disseminar-se de modo contíguo entre cadeias linfonodais.

  • Inflamação crônica

    Quando o agente não é eliminado, o infiltrado muda de composição: linfócitos, plasmócitos e macrófagos substituem os neutrófilos, e destruição e reparo passam a acontecer ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Essa simultaneidade é o que produz fibrose e deformidade — o dano crônico é obra tanto do agente quanto da resposta.

    Nesta doença: A maior parte da massa é reativa: quimiocinas tumorais recrutam eosinófilos, linfócitos, histiócitos e plasmócitos que sustentam o clone.

Cadeia causal específica

  1. Gatilho / etiologia

    Célula B adquire programa de sobrevivência anormal

    Ativação constitutiva de vias como NF-κB impede apoptose apesar da perda do receptor B funcional.

  2. Resposta celular

    Formação de células HRS e secreção de citocinas

    O clone torna-se grande, multinucleado e recruta uma população reativa muito mais numerosa.

    Na lâmina: Células grandes mono ou binucleadas com nucléolos eosinofílicos proeminentes.

  3. Resposta tecidual

    Microambiente inflamatório e, no subtipo nodular esclerose, fibrose

    Citocinas atraem células reativas e ativam fibroblastos.

    Na lâmina: Fundo misto e bandas colágenas que dividem o linfonodo.

  4. Perda ou alteração de função

    Substituição linfonodal e produção sistêmica de citocinas

    A arquitetura imune se perde e mediadores inflamatórios circulantes afetam todo o organismo.

  5. Manifestação clínica

    Adenomegalia e sintomas B

    Expansão nodal causa massa; citocinas contribuem para febre, sudorese e perda ponderal.

  6. Complicação

    Disseminação nodal, extranodal ou medular

    A progressão costuma alcançar cadeias linfonodais contíguas e, em estágios avançados, baço, medula e outros órgãos.

Macroscopia

  • Linfonodos aumentados, firmes, confluentes e branco-acinzentados

    Frequente
    Por que aparece:
    Substituição por tumor, infiltrado reativo e fibrose variável.
    O que significa:
    Sugere linfoma, mas classificação depende de arquitetura, citologia e IHQ.

No microscópio, na ordem certa

Panorâmica → arquitetura → compartimento → padrão celular → citologia → síntese.

Procure primeiro: Avalie apagamento arquitetural, nodularidade, bandas fibrosas e áreas de necrose.

  • Arquitetura parcialmente ou totalmente substituída por infiltrado difuso ou nodular

    Necessário
    Por que aparece:
    Expansão tumoral e do microambiente reativo.
    O que significa:
    Favorece linfoma sobre hiperplasia reativa, mas não define subtipo.

Síntese diagnóstica

O diagnóstico não é uma célula isolada: requer HRS em ambiente apropriado e perfil imunofenotípico coerente, com exclusão de mimetizadores.

Lâminas de referência

Catalogadas nos atlas de origem. Seleção editorial primeiro; o inventário completo de cada entrada fica a um clique.

Demais referências catalogadas (16)

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  • HistologiaHE Direitos aprovados

    Linfoma de Hodgkin

    Hodgkin LymphomaDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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    Linfoma de Hodgkin: linfonodos

    Linfoma de Hodgkin : linfonodosDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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    Linfoma de Hodgkin: linfonodos

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    Linfoma de Hodgkin: linfonodos

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    Linfoma de Hodgkin cervical em criança

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Colorações, imuno-histoquímica e molecular

Cada exame responde a uma pergunta. Resultado isolado não é diagnóstico.

  • CD30, CD15, PAX5, CD20 e CD45

    Responde:
    As células grandes têm o fenótipo de linfoma de Hodgkin clássico?
    Padrão esperado:
    CD30 forte e difuso, CD15 frequente, PAX5 fraco; CD45 ausente e CD20 negativo ou fraco/heterogêneo.
    Limitações:
    • CD30 e CD15 não são específicos; intensidade e localização devem ser avaliadas nas células-alvo.
    Muda o diferencial:
    PAX5 fraco e CD45 negativo apoiam Hodgkin clássico frente a ALCL e linfomas B de grandes células.

Da morfologia ao sintoma

Correlação entre achado morfológico, consequência funcional e manifestação clínica
Achado morfológicoConsequência funcionalManifestação
Microambiente rico em citocinasInflamação sistêmica e catabolismo.Febre, sudorese noturna, prurido e perda ponderal.

Normal × patológico, lado a lado

Comparação entre o tecido normal e o tecido alterado, aspecto por aspecto
AspectoNormalPatológico
ArquiteturaCompartimentos corticais, paracorticais e medulares preservados.Arquitetura apagada ou dividida por bandas fibrosas.
População celularMistura organizada sem células HRS.Raras células HRS em fundo reativo desorganizado.

Diagnósticos diferenciais

  • Linfoma anaplásico de grandes células

    Por que confunde:
    Células grandes CD30 positivas podem lembrar HRS.
    Compartilham:
    CD30 forte; células grandes pleomórficas
    Discriminador:
    Fenótipo T/citotóxico ou ALK, PAX5 ausente e morfologia de células hallmark.
  • Linfoma de Hodgkin nodular com predomínio linfocitário

    Por que confunde:
    Nome semelhante e células grandes em nódulos.
    Compartilham:
    neoplasia B nodal; células grandes dispersas
    Discriminador:
    Células LP expressam fortemente CD20/BCL6 e em geral não expressam CD30/CD15.

Complicações e prognóstico

  • Disseminação extranodal ou medularProgressão por cadeias linfáticas e, em doença avançada, via hematogênica.
  • Neoplasias e toxicidades tardias relacionadas ao tratamentoQuimioterapia e radioterapia podem produzir dano orgânico e mutações secundárias.

Armadilhas

  • Diagnosticar por uma célula Reed–Sternberg-like isolada.
  • Confundir Hodgkin clássico com a entidade nodular de predomínio linfocitário.

Resumo de alta retenção

  • A célula tumoral é minoria; a massa é majoritariamente microambiente reativo.
  • Perfil clássico: CD30+, CD15 frequente, PAX5 fraco e CD45−.
  • Reed–Sternberg não é patognomônica: contexto e painel são obrigatórios.

Autoavaliação

Responda antes de conferir. A devolutiva explica também por que as erradas estão erradas.

  1. 1.Qual perfil favorece linfoma de Hodgkin clássico em células grandes de um fundo inflamatório misto?

Referências, créditos e proveniência

Referências bibliográficas

  1. Alaggio R et al. The 5th edition of the World Health Organization Classification of Haematolymphoid Tumours: Lymphoid Neoplasms. Leukemia. 2022. acessar
  2. Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease. 10ª ed. Elsevier; 2021.

Entradas catalogadas consolidadas nesta doença

O nome exato encontrado na fonte é preservado. A consolidação é trabalho editorial do Domine Aqui e não é atribuída às instituições de origem.

Crédito das fontes

  • Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp Atlas de Anatomia Patológica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp; consulte os créditos da página original. https://anatpat.unicamp.br/
  • Histopathology Atlas / patolojiAI Histopathology Atlas / patolojiAI — Serdar Balcı, Memorial Pathology e instituições colaboradoras, conforme a página original. https://www.histopathologyatlas.com/
Registro completo de direitos e alterações editoriais