Em revisão médica Neoplasia maligna

Melanoma cutâneo

Também chamada de melanoma maligno da pele · em inglês: cutaneous melanoma; malignant melanoma

Pele · Pele

Sequência molecular e celular, exames complementares e diferenciais.

Objetivos de aprendizagem

  • Avaliar lesão melanocítica por arquitetura antes de procurar atipia celular.
  • Distinguir componente in situ, invasão e profundidade de Breslow.
  • Usar SOX10/S100 e Melan-A como marcadores de linhagem, não como prova isolada de malignidade.

Definição

Neoplasia maligna de melanócitos da pele, caracterizada por crescimento intraepidérmico desorganizado e/ou invasão dérmica, com potencial de disseminação linfática e hematogênica.

Antes de olhar a lâmina: a histologia normal

Uma alteração só é alteração em relação a alguma coisa. Estabeleça a referência primeiro.

Etiologia e fatores de risco

  • Dano ultravioleta e alterações em vias MAPK, ciclo celular e telômeros

    fisica

    Radiação UV produz assinatura mutacional; alterações como BRAF, NRAS e perda de CDKN2A permitem expansão e sobrevivência clonal.

Fatores de risco

  • Exposição UV intermitente intensa e queimaduras solaresestabelecidoAumentam dano ao DNA melanocítico e seleção de clones mutados.
  • Muitos nevos, nevos atípicos ou história familiarestabelecidoElevam o número de clones sob risco e podem refletir predisposição germinativa.

Do gatilho à manifestação clínica

Cada seta responde a uma pergunta: por que o próximo evento acontece?

Mecanismo patológico geral

O conceito reutilizável primeiro, a aplicação a esta doença depois. Separar os dois é o que permite reconhecer o mesmo mecanismo em outro órgão.

  • Displasia

    Proliferação epitelial com perda de maturação e atipia citológica, ainda contida pela membrana basal. Displasia não é câncer, mas é a expressão morfológica das primeiras alterações genéticas clonais: é o ponto do processo em que o desfecho ainda é evitável, e por isso é o alvo dos programas de rastreamento.

    Nesta doença: O clone perde a relação regular melanócito:queratinócito, forma ninhos confluentes e sobe pela epiderme, apagando simetria e maturação.

  • Invasão neoplásica

    A célula neoplásica rompe a membrana basal e passa a ocupar o estroma. Isso exige perder adesão, degradar matriz por proteases e adquirir motilidade. A invasão é o critério que separa carcinoma in situ de carcinoma invasor, e é o que abre as rotas linfática, vascular e perineural — ou seja, o que torna a doença sistêmica.

    Nesta doença: Melanócitos atravessam a membrana basal e expandem-se na derme sem maturar em profundidade, ganhando acesso a vasos linfáticos e sanguíneos.

Cadeia causal específica

  1. Gatilho / etiologia

    Dano genômico ou predisposição ativa clone melanocítico

    Mutação direcionadora inicia expansão, enquanto falhas adicionais removem senescência e controle do ciclo.

  2. Alvo molecular ou celular

    Melanócitos da unidade epidérmica

    Células basais produtoras de melanina passam a proliferar fora da proporção e dos nichos habituais.

  3. Resposta celular

    Atipia e crescimento pagetoide

    Perda de adesão e polaridade permite células isoladas subirem pelas camadas epidérmicas.

    Na lâmina: Melanócitos grandes e irregulares acima da camada basal.

  4. Resposta tecidual

    Fase de crescimento radial

    O clone se espalha lateralmente no componente intraepidérmico e pode formar ninhos assimétricos.

  5. Achado morfológico

    Fase invasiva e crescimento vertical

    Células atravessam a junção e formam população dérmica que não reduz tamanho em profundidade.

    Na lâmina: Componente dérmico sem maturação e com mitoses.

  6. Complicação

    Metástase linfática ou hematogênica

    Profundidade crescente e ulceração aproximam o tumor de vasos e selecionam clones capazes de sobreviver à disseminação.

Macroscopia

  • Lesão assimétrica, de borda irregular e cores heterogêneas, nova ou em evolução

    Sugestivo
    Por que aparece:
    Crescimento clonal desigual, pigmentação variável, regressão, hemorragia e ulceração.
    O que significa:
    Orienta suspeita e local de amostragem, mas melanoma amelanótico pode não seguir o padrão.

No microscópio, na ordem certa

Panorâmica → arquitetura → compartimento → padrão celular → citologia → síntese.

Procure primeiro: Avalie simetria, circunscrição, relação do componente juncional com o dérmico, ulceração e maior profundidade.

  • Lesão assimétrica e mal delimitada com crescimento além do componente dérmico

    Sugestivo
    Por que aparece:
    Expansão radial desordenada e infiltração desigual.
    O que significa:
    Contrasta com muitos nevos benignos simétricos e circunscritos.

Síntese diagnóstica

O diagnóstico integra assimetria, desorganização juncional, pagetoidismo e falta de maturação. Após reconhecer invasão, é obrigatório medir Breslow e documentar ulceração e margens.

Lâminas de referência

Catalogadas nos atlas de origem. Seleção editorial primeiro; o inventário completo de cada entrada fica a um clique.

Demais referências catalogadas (37)

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    Metástase de melanoma maligno no lobo frontal E

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    T1 COM CONTRASTEDescrição capturada da página de origem, sem revisão médica do Domine Aqui.

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Colorações, imuno-histoquímica e molecular

Cada exame responde a uma pergunta. Resultado isolado não é diagnóstico.

  • SOX10/S100, Melan-A e PRAME

    Responde:
    As células são melanocíticas e o padrão de expressão apoia uma proliferação maligna?
    Padrão esperado:
    SOX10/S100 realçam linhagem; Melan-A mostra arquitetura; PRAME difuso apoia melanoma em contexto adequado.
    Limitações:
    • Marcadores de linhagem também marcam nevos; PRAME pode ser negativo em melanomas e positivo focalmente em nevos.
    Muda o diferencial:
    Ajuda a mapear extensão e distinguir mimetizadores, mas nunca substitui a arquitetura em HE.
  • BRAF, NRAS e KIT conforme contexto clínico

    Responde:
    Existe alteração direcionadora com implicação terapêutica em doença avançada?
    Padrão esperado:
    Alteração depende da via etiológica e do sítio; BRAF V600 é frequente em melanomas cutâneos de baixa exposição cumulativa.
    Limitações:
    • Resultado não estabelece malignidade e deve ser solicitado com finalidade clínica definida.
    Muda o diferencial:
    Orienta terapia-alvo e, em casos selecionados, ajuda na relação entre tumor primário e metástase.

Da morfologia ao sintoma

Correlação entre achado morfológico, consequência funcional e manifestação clínica
Achado morfológicoConsequência funcionalManifestação
Maior profundidade de Breslow e ulceraçãoMaior acesso vascular e agressividade biológica.Aumento do risco de recorrência e disseminação regional ou sistêmica.

Normal × patológico, lado a lado

Comparação entre o tecido normal e o tecido alterado, aspecto por aspecto
AspectoNormalPatológico
Distribuição melanocíticaCélulas isoladas e regulares na base.Confluência, ninhos irregulares e ascensão pagetoide.
Maturação dérmicaNão há melanócitos dérmicos.Componente invasivo sem redução celular em profundidade.

Diagnósticos diferenciais

  • Nevo melanocítico composto

    Por que confunde:
    Também forma ninhos juncionais e componente dérmico pigmentado.
    Compartilham:
    melanócitos juncionais; ninhos dérmicos; pigmento
    Discriminador:
    Simetria, circunscrição e maturação progressiva em profundidade favorecem nevo.
  • Carcinoma pouco diferenciado

    Por que confunde:
    Melanoma amelanótico pode formar células epitelioides coesas.
    Compartilham:
    atipia intensa; ninhos invasivos
    Discriminador:
    SOX10/S100 e marcadores melanocíticos versus citoqueratinas, interpretados como painel.

Complicações e prognóstico

  • Metástase linfonodalInvasão dérmica oferece acesso à rede linfática cutânea.
  • Metástases viscerais e cerebraisDisseminação hematogênica de clones invasivos pode alcançar múltiplos órgãos.

Armadilhas

  • Confundir melanófago pigmentado com célula tumoral.
  • Usar PRAME negativo para excluir melanoma.

Resumo de alta retenção

  • Arquitetura vem antes da citologia: assimetria, pagetoidismo e falta de maturação.
  • Breslow mede da camada granulosa/base da ulceração à célula invasiva mais profunda.
  • SOX10 e Melan-A mostram linhagem; não provam malignidade sozinhos.

Autoavaliação

Responda antes de conferir. A devolutiva explica também por que as erradas estão erradas.

  1. 1.Qual achado diferencia melhor melanoma invasivo de nevo composto benigno?

Referências, créditos e proveniência

Referências bibliográficas

  1. College of American Pathologists. Protocol for the Examination of Excision Specimens from Patients with Invasive Melanoma of the Skin. Version 1.2.0.0. acessar
  2. WHO Classification of Tumours Editorial Board. Skin Tumours. 4ª ed. IARC; 2018. acessar

Entradas catalogadas consolidadas nesta doença

O nome exato encontrado na fonte é preservado. A consolidação é trabalho editorial do Domine Aqui e não é atribuída às instituições de origem.

Crédito das fontes

  • Atlas de Anatomia Patológica — FCM/Unicamp Atlas de Anatomia Patológica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp; consulte os créditos da página original. https://anatpat.unicamp.br/
Registro completo de direitos e alterações editoriais